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sábado, 10 de maio de 2014

O meu (re)encontro com Cristo, a igreja e a ortodoxia

Ícone 'Jesus Bom Pastor'
 Bem caros amigos e leitores, resolvi voltar a escrever, mas antes quis começar do zero e retirar daqui os textos anteriores que já não estão em tanta sintonia com a minha vida. Muita coisa vem acontecendo ao longo dos últimos meses, fatos inesperados e inusitados, mas antes de retrata-los aqui quero lhes contar um pouco sobre a minha vida.

Nasci em uma família adepta do catolicismo romano. Professei essa fé durante toda minha infância, me lembro de que sempre tive um convívio religioso muito forte com os sacramentos. Fui batizado com apenas um ano de idade. Das lembranças vividas que tenho de minha infância, as mais marcantes se passaram na Basílica do Divino Pai Eterno em Trindade-GO.

Sempre fui uma criança de oração, sendo temente a Deus e preocupado com a minha conduta. Não falava palavrões, não desrespeitava meus pais e não questionava minha fé, que era muito forte. Lembro-me de sempre dizer a minha mãe que queria ser padre, que queria viver para Cristo. Mas infelizmente nem tudo sai como o planejado.

Minha catequese fora interrompida e meu avô materno acabara de descobrir que tinha câncer na garganta. Não mais haviam missas aos domingos e nem celebrações eucarísticas nas casas da nossa comunidade. Nossa vida familiar se tornou um emaranhado de preocupação e tristeza. Minha fé aos poucos foi sendo drenada e minha família foi sendo afastada da comunhão.

Meu avô pela graça de Deus foi curado, mas a fé católica a muito já se tinha partido do nosso convívio. No desespero por encontrar um conforto religioso, minha avó, avô e alguns tios se converterão a denominações protestantes e eu os acompanhei.

Depois disso, não houve mais nenhum certeza nem fé na minha vida. Mudei de Igreja tantas vezes a procura da minha fé que já não existia mais nenhuma esperança de reencontra-la. Me deixei levar pelo ateísmo, que felizmente não durou por muito. Aquela minha vocação de infância continuava viva e com ela a necessidade de Deus na minha vida.

Comecei a saltitar de religião em religião, buscando a resposta, buscando a verdadeira manifestação de Deus. Mas tudo que encontrava era vazio, tudo muito distante. Minha ultima tentativa foi o Movimento Hare Krishna. Passei algumas boas tardes cantando com eles, mas Deus ainda estava muito distante, tinha muito conhecimento sobre a doutrina, mas não tinha fé. Por mais que me forçasse a crer n'aquilo que lia, não conseguia.

Minha vida estava mais vazia que nunca. Já quase concluía que Deus não existia - e que tolo fui - queria encerrar aquele meu conflito religioso interno. Mas Deus age de maneira inesperada e inexplicável. Recordei-me dos meus estudos sobre a Igreja Ortodoxa, sobre a sagrada tradição da fé cristã oriental. Me afundei nos estudos e nas pesquisas sobre a Santa Ortodoxia.

A cada texto que lia, crescia em meu coração um calor, uma chama semelhante aquela que sentia pelo sacerdócio quando era apenas uma criança. Encontrei em minha cidade a Paroquia São Nicolau. Mal podia crer que Deus havia me concedido essa graça. Liguei na paroquia e marquei dois dedos de prosa com o pároco.

Cheguei na Paroquia com uma hora de antecedência, a igreja estava vazia e quase escura, iluminada por algumas velas. Me sentei no penúltimo banco e comecei a rezar contemplando um ícone de Jesus Crucificado. Aquele foi o momento que Deus mudou minha vida, me tirou da lama para a luz. Foi ali que a minha historia havia de começar.

Olhando para aquele ícone, Deus me clarificou seu sacrifico e sua paixão, Deus me mostrou que seu amor por nós foi maior do que toda a criação. Me senti arrependido, me senti tocado. Lagrimas sinceras corriam pelo meu rosto, foi aquela a hora em que o Bom Pastor buscou de volta sua ovelha perdida.

Minha conversa com o Pároco - hoje meu Pai espiritual, Pe. Rafael Magul - foi rápida, fui recebido a igreja ortodoxa pelo santo crisma, me senti entrelaçado, me senti uno com Cristo. Foi ali que tomei minha primeira eucaristia, foi ali que escolhi meus padrinhos, foi ali que aprendi o valor da Sagrada Tradição Ortodoxa. Foi ali que de fato me tornei um cristão.

Me sinto mais do que nunca chamado a presença de Deus, me sinto chamado a servir a Santa Igreja, que é Una, Santa, Católica e Apostólica. Hoje tenho plena alegria, gratidão e amor a Deus. Minha fé ainda é pequena, mas sei que ainda tenho um longo caminho a trilhar, hoje finalmente seguindo os passos de Jesus Cristo, que é Deus encarnado. Sinto-me na plenitude, no amor e na comunhão e espero finalmente poder viver unicamente para Cristo, como Ele desejar.

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